Projeto Ação Integrada vence Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2026
Iniciativa foi reconhecida na categoria Cidadã da 12ª edição da premiação, que registrou recorde de 198 inscrições
O Projeto Ação Integrada: Resgatando a Cidadania, iniciativa voltada ao acolhimento e à reinserção social de vítimas da exploração do trabalho em condições análogas à escravidão e do tráfico de pessoas, foi o vencedor da categoria Cidadã da 12ª edição do Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2026, promovido pela Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra). A premiação reconhece ações e iniciativas voltadas à promoção e à defesa dos direitos humanos no mundo do trabalho.
A edição deste ano registrou o número recorde de 198 trabalhos inscritos. Desse total, 39 concorreram na categoria Cidadã, na qual o Projeto Ação Integrada foi o vencedor. Os vencedores de cada categoria receberão R$ 10 mil e um troféu.
O projeto é desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ) e mantido com recursos provenientes de multas aplicadas em razão do descumprimento de obrigações impostas pela Justiça do Trabalho nas ações civis públicas ajuizadas pelo MPT, bem como de indenizações por danos morais coletivos fixadas judicialmente ou previstas em Termos de Ajuste de Conduta (TACs). A execução é realizada em parceria com a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, pormeio do Programa de Atendimento a Resgatados do Trabalho Escravo.
A iniciativa atua em uma das etapas mais desafiadoras do enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo: o pós-resgate. Isso porque o enfrentamento à exploração não se encerra com o resgate da vítima. É fundamental assegurar condições para que ela possa reconstruir sua trajetória com autonomia, superar as vulnerabilidades que contribuíram para a situação de exploração e reduzir o risco de ser novamente submetida a condições semelhantes.
“Esse prêmio tem um significado muito especial. O Ação Integrada nasceu da percepção de que o resgate, por si só, não é suficiente para romper o ciclo de exploração. Era preciso olhar para o dia seguinte e compreender que cada pessoa resgatada tem uma história, vulnerabilidades, necessidades e perspectivas diferentes. Por isso, o atendimento no pós-resgate precisa ser individualizado, construído a partir da realidade de cada vítima, para que ela possa recuperar sua autonomia e traçar novos caminhos. Ver esse trabalho reconhecido, depois de tantos anos de construção coletiva, reafirma a importância de fortalecermos as políticas de pós-resgate e a rede de atendimento às vítimas”, destacou Guadalupe Louro Turos Couto, idealizadora do projeto e responsável por sua gestão por 14 anos.
A cerimônia de entrega do Prêmio Anamatra de Direitos Humanos 2026 será realizada no dia 28 de outubro, às 19h, no Auditório do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em Brasília.
